Cashback’ é atraente para o bolso, mas é preciso fazer as contas

Programas que devolvem parte do dinheiro gasto em crédito crescem no país, com retorno de 5% a 10%

Comprar em uma loja virtual e receber parte do dinheiro gasto em crédito para novas aquisições, ou mesmo na conta corrente. Esse é o princípio do cashback , sistema de fidelidadeque vem conquistando espaço no Brasil. Para o consumidor, é a chance de fazer uma economia e, para as empresas, uma forma de fidelizar o cliente. Embora seja um atrativo, especialistas alertam para o risco de comprar além do necessário e ressaltam que é importante verificar o histórico da empresa que presta o serviço.

— É importante deixar claro que, mesmo sendo fidelização, é muito mais interessante que milhas ou pontos, que têm validade e não equivalem a dinheiro de verdade. No cashback , o cliente não fica limitado a determinados produtos e serviços. Ainda são programas muito pequenos no Brasil, mas é um mercado em expansão — ressalta Samuel Barros, coordenador de Administração do Ibmec-RJ.

Sandra Blanco, especialista da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), lembra que o consumidor deve levar em conta duas coisas ao usar programas de cashback . Deve-se adotar a mesma estratégia usada em promoções, ou seja, avaliar se a compra é necessária ou está sendo feita apenas pelo impulso do benefício do dinheiro na conta. Além disso, é preciso fazer as contas e ver se o volume de compras feitas em lojas virtuais vai gerar crédito suficiente para pagar a mensalidade, que alguns programas de cashback cobram.

— É preciso colocar tudo na ponta do lápis. Ver os pontos positivos. Às vezes a assinatura não vai ser vantajosa. E, como qualquer promoção, o melhor é não comprar por impulso e evitar gastos desnecessários e não planejados — explica Sandra.

Como o cashback funciona

  •  Cliente compra em uma loja virtual
  •  Um percentual da compra volta em crédito
  •  O mais comum é receber entre 5% e 10%, mas há casos em que chega a 50%
  •  O valor pode ser usado na próxima compra ou depositado em conta corrente
  •  Ame, Compra e Volta e Méliuz são alguns dos programas disponíveis
  •  Alguns programas cobram mensalidade. É bom fazer as contas

Como esse tipo de programa é novo no Brasil, o consumidor deve ficar atento à empresa que presta o serviço e olhar o seu histórico, para ter certeza de que vai receber os créditos de volta.

— É sempre bom ir a sites já conhecidos e bastante usados no mercado. Mas também é possível consultar sites de queixas de consumidores, para ver a reputação da empresa e o índice de resolução de problemas — ressalta André Amaral, diretor de estratégia do Méliuz, um dos primeiros programas de cashback do Brasil.

Atenção à mensalidade

Muitas vezes, essas promoções são feitas em parceria entre a empresa que é dona do programa de fidelidade e uma marca ou loja que queira promover seus produtos.

— Gostamos de trabalhar com parceiros, como Visa, Itaú e PayPal. Eles mesmos podem ativar esse tipo de iniciativa, conforme sua própria estratégia — diz Fernando Vilela, responsável pela área de expansão e marketing do aplicativo de entrega Rappi.

No caso do Rappi, basta o cliente se cadastrar na plataforma para ter acesso às promoções de cashback . O mesmo vale para quem tem conta no Banco Original, uma das primeiras instituições financeiras a oferecer esse benefício.

Muitas lojas estão aderindo a esse sistema, como O Boticário, Americanas.com, Amazon, Shoptime, Submarino e Netshoes, de forma permanente ou momentânea. O percentual de retorno varia de loja para loja, entre 1% e 5%, podendo chegar a 10% ou mais em campanhas especiais.

Há também os programas específicos de compra com retorno, como Méliuz, Compra e Volta e Cashback World. Nesses casos, é preciso fazer um cadastro — às vezes é cobrada uma mensalidade, ou há um teto para crédito mensal — e acessar as lojas parceiras. A loja em que a compra foi realizada notifica a administradora do programa, que tem entre 30 e 100 dias para devolver o dinheiro ao assinante.

Alexandre Primo, diretor de produtos da CXLoyalty, responsável pelo Compra e Volta, acredita que esse tipo de benefício está se popularizando no Brasil porque o cliente vê retorno imediato. Já nos programas de pontos, o benefício só é desfrutado quando se atinge um determinado patamar de gastos.

— O cashback pode até ser complementar a um programa de pontos. É um benefício imediato. No nosso caso, depositamos o dinheiro em conta corrente — diz Primo, explicando que o retorno é de 10%, sendo cobrada uma mensalidade de R$ 20,90.

Também é de 10% o retorno da parceria do Mercado Livre com Visa e Itaú Unibanco.

— O cliente recebe de volta 10% do valor das compras acima de R$ 100 realizadas com o novo cartão no Mercado Livre, com cashback limitado a R$ 50 por transação. O crédito constará na fatura do cartão em até 30 dias após a compra — diz Tulio Oliveira, vice-presidente do Mercado Pago no Brasil.

Por Ana Paula Ribeiro, Letycia Cardoso e Patricia Valle – extraído na íntegra de O Globo